terça-feira, 23 de agosto de 2011

Gordura abdominal a mais perigosa

Ela não é bem-vinda em parte alguma do corpo, mas, quando se acumula ao redor da cintura, aumentam os riscos de doença do fígado, coração e diabetes

Manter-se magro. Acho que nunca tantas pessoas acalentaram tal desejo por tanto tempo. Não é fácil, os ponteiros que o digam. Mas, talvez mais do que a preocupação com a estética, o foco deveria ser o que acontece com o fígado ou mesmo o coração. E, quando se fala em saúde, a principal preocupação precisa ser com a gordura abdominal. "As células de gordura do corpo estão constantemente enchendo-se e esvaziando-se. E, ao esvaziarem, jogam na corrente sanguínea ácidos graxos e glicerol", explica o endocrinologista Alfredo Halpern, da Universidade de São Paulo. "A proximidade com o fígado faz com que, primeiro, essas substâncias se depositem no órgão", completa. Isso provoca a chamada esteatose hepática, que não é uma doença em si, e, sim, o resultado de desordens metabólicas. A longo prazo, ela pode fazer com que o fígado pare de funcionar.
Esse tipo de gordura também aumenta a chance de desenvolver diabetes tipo 2 (veja box). Finalmente, é preciso livrar-se da gordura que acaba com a cintura porque ela afeta diretamente o coração. Foi o que confirmou uma pesquisa, publicada recentemente no Circulation, jornal da Sociedade Americana do Coração, na qual foram avaliados 1.708 homens e 892 mulheres com problemas cardíacos entre 45 e 79 anos na Inglaterra. Os cientistas concluíram que homens com a cintura aumentada têm 55% a mais de chance de desenvolver doenças coronarianas, e esse número sobe para 91% no caso das mulheres.
Outro estudo, dessa vez desenvolvido pela Escola de Medicina de Boston (EUA), relacionou a gordura abdominal com maior chance de desenvolver demência. Foram acompanhadas 700 pessoas de meia-idade, e os pesquisadores encontraram uma associação inversa entre a circunferência do abdome e o tamanho do cérebro.
As células de gordura do corpo estão constantemente enchendo-se e esvaziando-se. E, ao esvaziarem, jogam na corrente sanguínea ácidos graxos e glicerol
Os tipos de gordura abdominal
Existem basicamente dois tipos de gordura abdominal. "A visceral, que, como o nome diz, esconde-se entre as vísceras e é a mais perigosa", diz Halpern. Já a subcutânea fica sob a pele e está menos entranhada entre os órgãos. É fácil diferenciar uma da outra: se você deitar e sua barriga esparramar para os lados, é subcutânea. Se ficar rígida feito uma bolinha é víscera. As duas devem ser combatidas. A conta para saber se a gordura abdominal está comprometendo a sua saúde é a seguinte: meça a região que fica entre a última costela e a crista ilíaca, exatamente a cintura. Para as mulheres, se a medida ultrapassar 80 centímetros, e para os homens 94, já há um risco moderado de desenvolver os males relacionados a esse tipo de gordura. Mas o sinal de alerta toca mesmo se a medida ultrapassar 102 centímetros para os homens e 88 para as mulheres.
Em qualquer um desses casos é preciso realizar mudanças que façam com que essa gordura desapareça ou diminua. Alguns alimentos contribuem para a redução da gordura abdominal: frutas cítricas, vegetais crucíferos, amêndoas, cereais integrais, peixe, clara cozida, aveia e cevada.



Gordura localizada, doenças espalhadas
Veja os detalhes dos principais males que podem ser causados pela gordura abdominal.

Diabetes
"As células de gordura fabricam substâncias que desequilibram o organismo e podem produzir glicose em excesso", diz o fisiologista Mohamad Barakat, do Programa Longevidade Saudável. Para completar, os ácidos graxos dificultam a entrada dessa glicose nas células e ela sobra no sangue, caracterizando a diabetes tipo 2.

Hipertensão
Para fazer com que a glicose entre nas células, o pâncreas aumenta a produção de insulina. "Isso exige a contração dos vasos sanguíneos, para ajudar as substâncias a circularem com mais rapidez pelo organismo", diz Barakat.

Infarto e derrame
"O tecido adiposo dessa região contém células que produzem substâncias inflamatórias", diz o cardiologista Carlos Pastore, do Instituto do Coração. Isso provoca o fechamento da passagem do sangue, aumentando os riscos de infarto e também de derrame.


  

10 dicas para eliminar os vilões da dieta
Conheça os alimentos que contribuem para a formação da gordura abdominal e tente evitá-los:
1. Alimentos com gordura trans.
Apesar da campanha para que ela desapareça das prateleiras, ainda há alguns produtos que a usam em sua composição. É o tipo de ácido graxo que vai diretamente para a cintura.
2. Refrigerantes.
Um copo contém quatro colheres de sopa de açúcar. "Isso faz com que a glicemia suba rapidamente, gerando mais energia do que o corpo é capaz de utilizar ao mesmo tempo. O excesso dessa energia irá se transformar em triglicerídeos e posteriormente em gordura abdominal", explica a nutricionista Inty Davidson, de São Paulo.
3. Bebidas alcoólicas.
As piores são as destiladas, que têm uma alta dosagem alcoólica, o que aumenta a glicemia.
4. Frituras de imersão, Como batata frita e bife À milanesa.
Esses alimentos ficam com quase o dobro de calorias em relação à versão assada ou cozida. Então, mesmo que você coma pouco, eles gerarão muitas calorias.
5. Pizza.

A massa é feita com muita farinha refinada, de digestão rápida, que também provoca elevação acima do normal da glicemia. Além disso, costuma ser acompanhada por queijo e molho, fontes de gorduras ruins .
6. Macarrão.
Normalmente comemos em quantidade maior do outro carboidrato, o arroz. Não é incomum consumir os dois na mesma refeição, e carboidrato em excesso é sinal de glicemia também exagerada e acúmulo de gordura na cintura..
7. Doces.

Ricos em açúcar - que eleva a glicemia e a energia extra se acumula na cintura -, normalmente também vêm acompanhados de gordura.
8. Creme de leite.
É rico em gordura saturada, que eleva o colesterol e se acumula na cintura.
9. Gordura animal.

Bacon, carne vermelha, manteiga e queijos amarelos aumentam a adiposidade do corpo.
10.Leite.

Algumas pessoas têm intolerância à lactose, o que pode provocar a formação de gases. Nesse caso, portanto, não é gordura que se acumula na região do abdome.




Eles e elas
Tanto homens quanto mulheres podem acumular gordura
Mulheres
Tem uma tendência maior a desenvolver esse tipo de gordura porque os hormônios progesterona e estrogênio facilitam seu depósito.
Risco baixo: 80 cm de circunferência na cintura
Risco alto: 88 cm de circunferência na cintura

Homens
Estão mais protegidos contra a formação dessa gordura por conta da testosterona, um hormônio anabolizante, ou seja, que aumenta a massa muscular.
Risco baixo: 94 cm de circunferência da cintura
Risco alto102 cm de circunferência da cintura




Fonte :http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/100/artigo225260-1.asp

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